terça-feira, 24 de junho de 2014

3º Passo

E chegamos ao terceiro pilar da base do Programa de 12 Passos. E no meu ponto de vista um dos mais difíceis. Até aqui estamos constituindo o que irá dar sustentação para enfrentar o longo caminho da recuperação e da própria vida.
Já admiti que sou impotente, já senti o alivio de saber que Deus está cuidando de mim e agora é hora de deixar que Ele tome conta das coisas e me direcione para onde PRECISO ir e não para onde eu quero.
Pra mim não é tão explícito o quão tento controlar as contingências da minha vida, pois geralmente aparento aceitar muito bem a opinião das pessoas, compreendê-las e não brigar para obter as coisas. Mas no fundo vivo em conflito com minhas vontades e o curso da vida e, apesar do mundo não ver muito isso, me frustro com facilidade.
Poderia aqui discutir o quanto o ser humano é desejante e vive em busca de uma plenitude que nunca será alcançada, mas não é meu foco. O que sei é que é difícil aceitar que as coisas não ocorrem como eu quero, assim busco sempre o melhor do meu melhor, o que torna também perfeccionista.
Não à toa este post somente está saindo hoje, pois comecei a escrever e tive dificuldade para finalizar. 
E estou aprendendo a lidar com essas características e com a incontestável realidade da vida, não está no meu controle. Tenho escolhas, mas as consequências são da vida. E desde que comecei a perceber isso, passei a valorizar mais como as coisas acontecem, um ônibus que não vem, quando escuto o que preciso, situações inusitadas... nada é por acaso. 

É a vida! 


3º Passo: Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos





sexta-feira, 13 de junho de 2014

2° Passo

Por anos tive muito resistência à concepção Teocêntrica de mundo, onde uma força maior que tudo governa o Universo. Acredito que esta resistência tenha a ver com a forma como falavam de Deus à minha volta, sempre associada a alguma religião, controle e punição. 

E hoje fico muito, mas muito feliz mesmo, em saber que Deus não é nada disso. E Ele esperou anos pra que finalmente eu pudesse ser humilde para ver que ele sempre esteve comigo. Ainda permanece no encanto e mistério a forma como sutilmente me permiti ver além e, quando enfim descansei meu coração em seus braços. 
Eu não aguentava mais sofrer e, acima de tudo não saber o motivo do sofrimento... sempre uma angústia e um vazio que nada poderia preencher, nada mesmo. Um falta de sentido pra tudo. 
Frequentando o grupo já a primeira sensação foi de alívio, não precisar mais brigar ou lutar contra algo que não vejo. A dor passa a ter um lugar e aos poucos um nome. E saber com o que estou lidando já não me deixa em desvantagem, agora é possível fazer algo e o melhor, não estou sozinha. 
Esta sensação de pertencimento a algo e a diminuição da solidão foram dando força e sustentação. Aspectos importantes para acreditar que é possível fazer algo, que eu posso fazer diferente. 
Bom, porque já não dá pra continuar me comportando do mesmo jeito e achar que não vou me sentir exatamente igual. Estranho é jogar um objeto pra baixo e esperar que ele vá pra cima. 
Acontece que por anos tive comportamentos similares, de fuga, desconfiança e auto-proteção... romper com isso requer muito boa vontade. E neste ponto a fé é fundamental, pois posso confiar que Deus está no controle. 
No grupo vemos crescer esse sentimento de alívio e a própria união entre os membros, mesmo para quem não possui uma figura de Poder Superior, já permite esta sustentação, proteção e confiança. É fundamental saber que terá alguém ao nosso lado que não nos deixará cair e o grupo faz muito bem esse papel, esta união ajuda a combater o isolamento e a auto-suficiência. 
2° Passo - Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.

Essa é minha compreensão, caso você esteja lendo esse blog contribua com seu olhar. E continue acompanhando minha trajetória.
 Um beijo



quinta-feira, 5 de junho de 2014

1º Passo

Boa tarde queridos!
Hoje inicio um novo blog para falar de minha experiência como visitante  em recuperação de reuniões de NA. Pra quem não sabe NA - Narcóticos Anôninos é um dos grupos de mútua-ajuda para dependentes químicos. Que fique claro, não quebrarei o código de honra do grupo, tão importante para sua existência, assim, manterei o anonimato das pessoas que o frequentam e do que é falado ali. Posso levar a mensagem, mas sem identificar as pessoas ou expor o grupo.
Minha intenção é apenas falar de minha visão do Programa adotado no grupo, sendo utilizados os 12 passos como base de orientação. Pra quem não conhece recomendo fortemente conhecer um grupo, há vários espalhados no Brasil e por todo o mundo, pois realmente é uma experiência transformadora.
Confesso que há anos passo na frente de um grupo e tinha curiosidade de conhecer, mas por uma série de justificativas, demorei anos para tomar coragem e finalmente ir conhecer um grupo, que não foi este que há perto da minha casa.
Poderia enumerar diversos motivos para meu interesse pelo grupo, ter histórico de uso de substâncias na família e entre amigos, ser minha área de trabalho, descobrir um mundo novo e, finalmente, algo que só fui descobrir propriamente frequentando o grupo... minha identificação pessoal.
E por este motivo a brincadeira de "visitante em recuperação", pois para quem conhece o Programa de 12 Passos descobre que é algo fantástico, inclusive acho que deveria ser adotado para a vida de todas as pessoas, como crescimento pessoal e espiritual. E eu sou uma pessoa que me identifico muito, frequentando diferentes reuniões e buscando adotar em minha vida as ideias adotadas, não é muito fácil, mas me esforço. Este meu contato com os grupos auxilia também em meu trabalho, pois posso compreender melhor como a pessoa vivencia sua recuperação e sua forma de colocar em prática os passos.
Neste caminho, vou postar aqui os passos para quem ainda não conhece. Um em cada postagem...
1º Passo - "Admitimos que éramos impotentes perante a nossa adicção, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis."
E aqui adicção poderia ser substituido por "vida". Pode parecer redundante com o que vem a seguir, mas de fato percebi que era impotente perante a minha vida, pelo menos perante a forma como vinha levando minha vida. Coloco aqui no tempo verbal passado por compreender que a partir do momento que possuo consciência e percebo que algo precisa ser modificado, este padrão de comportamento já começa a ser modificado. É um processo, nada ocorre assim como se houvesse um botão liga/desliga, mas já vem acontecendo alguma coisa. 

E parece óbvio chamar o 1º Passo de primeiro passo, mas realmente é necessário fazer um primeiro movimento para que algo possa ser modificado e, ter consciência sobre sua situação e não fazer nada é no mínimo incômodo. Respeito e entendo quem permanece paralisado, muitas vezes por medo do que pode vir a seguir... mas isso é assunto pra próximos posts.
Pra finalizar uma frase que resume isso pra mim. 




É isso, até a próxima postagem. Caso você esteja lendo este texto e tenha interesse em comentar, complementar ou dizer algo a respeito, fique à vontade.
Beijos